O cavaleiro da Meia-Noite Tradução/Pesquisa: grh




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GRH


Romances Históricos

apresenta


Kat Martin

O Cavaleiro da Meia-Noite







Tradução/Pesquisa: GRH

Revisão Inicial: Ana Catarina

Revisão Final: Ana Julia

Leitura Final: Polyana

Formatação: Ana Paula G.




Resumo
Ela era sua cativa. Ele era o único homem que a proibiram de ter...
Ano 1855 — Califórnia.

Logo que o alto e atraente espanhol, Ramón De La Guerra, desceu de seu cavalo para lhe oferecer uma rosa, Caralee McConnell soube que na Califórnia se deparava com o perigo.

Decidida a agradar seu tio, que a salvou da pobreza, deve resignar-se a casar-se com o homem que ele escolheu para ela... E ignorar seu coração.

Atrás dos olhos escuros de Ramón de La Guerra pulsa a lembrança de suas terras, roubadas, pelo tio dessa bela americana. Ramón jurou reclamá-las. Cavalgando pelas noites como um cruel bandido rapta Caralee e a leva para sua guarida na montanha... Mas ali…






SOBRE A AUTORA:

Kathleen Kelly Martin: Pseudônimos: Kathy Lawrence, Kasey Mares e Kat Martin. É autora de numerosas novelas românticas de êxito, que foram traduzidas em uma dúzia de idiomas e venderam mais de três milhões de exemplares em todo mundo. Vive em Missoula, Montana e Bakersfield, Califórnia, e ama a história, as viagens e o esqui.

Descendente de pioneiros nasceu em 14 de julho de 1947 no Vale Central do estado da Califórnia (Estados Unidos). Passou sua infância em um rancho, imersa no mundo rural e boiadeiro. Sempre foi uma ávida leitora e apaixonada pela história. Licenciou-se em Antropologia e História pela Universidade da Califórnia em Santa Bárbara. Mudou-se à Costa leste durante vários anos, ali trabalhou em relações públicas e agente imobiliário. Foi ali onde conheceu seu marido Larry Jay Martin, também escritor além de fotógrafo. Ambos se mudaram e retornou a Califórnia, a Bakersfield.

Em 1980 Kathleen finalmente passou para o papel as narrações que sempre tinham povoado sua imaginação, escolhendo o romance, já que sempre adorou os finais felizes. Demorou um ano e meio para finalizar sua primeira novela (A aventureira), depois outros seis meses para obter uma editora que se interessasse nele e uma vez vendido teve que esperar outro ano para vê-lo finalmente publicado. Após continuou publicando novelas históricas com grande êxito.

O marido Martin que se mudou para Missoula, estado de Montana. Ambos se centraram em sua corrida de escritores, dedicando-se a viajar procurando convocações para suas novelas, gostam em especial de visitar posadas afastadas e construídas em outros tempos.

A maior parte de seus livros escreveu sob um diminutivo e seu sobrenome de casada: Kat Martin. Também usou o pseudônimo da Kathy Lawrence, em um livro em que teve a colaboração de seu marido. E finalmente usou a sugestão de seu editor, o pseudônimo do Kasey Mares, para suas duas primeiras novelas contemporâneas.

COMENTÁRIO REVISORA INICIAL ANA CATARINA
Eu gostei muito do livrinho. Cheio de emoções, o mocinho é uma espécie de Zorro – TDB - cafajeste, ela é uma bobona apaixonadíssima por ele. Ela quase chega ser uma rainha-sado, pois o obriga a se casar com ela, espontaneamente mediante o trabuco do tio dela. Ele se casa, sem-querer-QUERENDO. Mas isso, vamos entendendo no decorrer da história. Teve momentos que tive raiva dela outras dele. Mas eu amo romance assim, repleto de emoções. Muito bacana mesmo! Boa leitura!

COMENTÁRIO REVISORA FINAL ANA JULIA

O livro é bom, tem disputas, perseguições, no início é meio chato, mas depois engrena e a história te prende até o final. O mocinho é ótimo, a mocinha que parece meio boba no início mostra que não é nada disso. Boa Leitura.



COMENTÁRIO LEITURA FINAL POLYANA

Gostei muito do livro. O mocinho tem aquele toque de maldade que adoro mas o tempo todo também mostra que ele é um homem bom, que teve sua cota de sofrimento e tem seus preconceitos que gera a maioria dos problemas. E a mocinha é ótima orgulhosa e forte, não tem nada de boba, é como toda mocinha tem sua cota de insegurança e duvidas a cerca do mocinho e seu amor. Uma história envolvente e com momentos engraçados, principalmente quando a mocinha pede conselhos à tia solteirona do mocinho sobre como uma verdadeira dama espanhola deveria agir na cama.



CAPITULO 01
Califórnia, 1855.

Conchas de prata. Caralee McConnell deteve a vista nos adornos resplandecentes que brilhavam a luz da tocha. Os círculos brilhantes pareciam condecorações colocadas ao longo das longas e esbeltas pernas do espanhol.

Vestia uma curta jaqueta de cavaleiro, bordada até seus largos ombros, com fio de prata. Ao extremo de suas rodeadas calças de montar um brilho de cetim vermelho ressaltava sobre as cuidadas botas negras, feitas do mais fino couro cordovês.

Carly observava o alto cavalheiro espanhol, que se mantinha na sombra, conversando animadamente, no pátio, com seu tio, Fletcher Austin, e com outros homens. Inclusive na escuridão, sob os enormes beirais de carvalho esculpido da grande casa de tijolo cru, podia distinguir seu esplêndido perfil que a luz e as sombras acentuavam.

Carly sabia quem era, é obvio. Oopesh, uma das criadas indígenas, lhe havia dito. E Candelária, sua jovem criada, parecia deprimir-se cada vez que se mencionava seu nome. Dom Ramón De La Guerra era o proprietário de um pequeno terreno contíguo ao Rancho dos Carvalhos, a fazenda de seu tio e a nova casa de Carly. Ela nunca tinha conhecido um verdadeiro cavalheiro espanhol, embora ao fim, este homem era seu vizinho.

Ajustou a fita de cetim verde escuro que levava no pescoço e alisou a parte dianteira de seu decotado vestido de seda verde esmeralda, cuja ampla saia seguia os cânones da última moda. Era um presente de seu tio, quem afirmou ter escolhido a cor para que ressaltasse o verde de seus olhos e os matizes castanhos de seu cabelo.

Era o vestido mais formoso que já havia tido. As fileiras de laços de volantes destacavam sua finíssima cintura. Também, pensava com acanhamento destacavam seus altos e redondos seios. Este vestido lhe dava a confiança que necessitava, ajudavam-na a esquecer que somente era a filha de um mineiro da Pensilvânia.

Carly se aproximou dos homens.

Um tal Hollingworth estava falando. Era um fazendeiro cujas terras se estendiam para o norte.

—Não sei o que pensam vocês — dizia — mas já suportei muito tempo esta insolência. Este homem é um bandido. Não é melhor que Murieta, ou que este Jack García nem a nenhum outro desprezível bandoleiro que tenha rondado por estas colinas. Esse bastardo merece que o enforquem.

—O enforcaremos — escutou que dizia seu tio. —Disso pode estar certo...

Fletcher Austin era mais alto que os outros homens, mas não tanto como o espanhol. Vestia um elegante e caro smoking marrom escuro com amplo pescoço de veludo e uma imaculada gravata de linho branco.

—O que lhe parece, dom Ramón?

A pergunta era de Royston Wardell, o banqueiro de São Francisco que se ocupava das finanças de seu tio. A seu lado estava um poderoso empresário, William Bannister, e seu filho Vincent, de trinta anos.

—É um homem educado, um homem culto e refinado — continuou o banqueiro — e seguro não aprova a conduta desse bandido, embora seja...

Wardell se interrompeu. O pescoço se avermelhou sobre o branco engomado da camisa.

Carly se deteve um instante para escutar a resposta que daria Ramón De La Guerra, sabia que falavam de um bandido que se chamava O Dragão. Tinha ouvido os serventes sussurrarem seu nome. Mas seu tio o pronunciava sem o menor respeito.

—Embora seja... Quem, senhor Wardell? —perguntou amavelmente De La Guerra, embora suas palavras denotassem certa tensão. —Um homem de meu povo? Possivelmente um homem de sangue espanhol? — Sacudiu a cabeça, o fogo se refletiu em seu cabelo de ébano, ondulado e levemente longo. —Que seja um californiano não lhe faz menos culpado... Embora possivelmente me pareça que sua causa é justa — concluiu o espanhol.

—Justa? —repetiu seu tio— É justo roubar o que outro homem ganhou trabalhando duro? Sequestrar inocentes e assassinar incautos? Este homem é um vilão, não é mais que um assassino e um ladrão. Já assaltou três vezes o Rancho dos Carvalhos. Juro-lhe que a próxima vez o mato.

Carly teria gostado de escutar a resposta do espanhol, mas seu tio a tinha visto.

—Ah, Caralee querida. —Seu tio tinha interrompido a conversa sorrindo, mas ela advertiu o duro olhar que trocou com De La Guerra. Adicionou em seguida: — Perguntava-me onde estava.

Carly se situou ao seu lado aceitando o braço que seu tio lhe oferecia.

—Sinto muito, tio Fletcher. Ainda não estou acostumada a estas reuniões tão tardias. Ainda estou um pouco cansada pela viagem.

Tratou de não olhar ao espanhol, nem as largas pernas esbeltas, nem os estreitos quadris, nem esses ombros quase tão largos como as mangas das tochas que os peões utilizavam para atiçar as chamas sob o boi que estavam assando.

—Compreendo-a, querida. Cinco meses a bordo de um clippr1 e passando pelo Cabo de Hornos... Lembro muito bem quão exaustivo resulta a viagem.

Seu tio era um homem de pouco mais de cinquenta anos, com poucos sinais de velhice, somente alguns cabelos brancos no cabelo. Mantinha firme o queixo e o estômago plano. Era tão sólido como a terra que pisava, tão imponente como os enormes carvalhos que davam nome a seu rancho.

—Possivelmente devêssemos ter esperado e celebrado esta festa um pouco depois, mas desejava tanto que conhecesse alguns de meus amigos...

Carly sorriu. Ela também estava ansiosa por conhecê-los, especialmente a esse homem tão alto e tão bonito.

—Estou bem. Só precisava descansar um momento.

Não disse nada mais, esperando que a apresentasse ao único varão que ainda não conhecia. Seu tio vacilou mais do que deveria, ruborizou-se, murmurou algo inaudível e finalmente disse:

— Me desculpe querida. Tinha esquecido que não a apresentei a nosso convidado. Dom Ramón De La Guerra, posso lhe apresentar a minha sobrinha, Caralee McConnell?

—Carly — corrigiu ela, com um sorriso estendendo sua mão coberta por uma luva branca ao atraente espanhol. Seu tio franziu o cenho. O sorriso que Carly recebeu da parte do cavalheiro foi deslumbrante, um resplandecente relâmpago branco contra sua pele morena, um sorriso transbordante de atração masculina que o coração de Carly começou a pulsar mais depressa.

—Sinto-me honrado, senhorita McConnell.

Tomou a mão, elevou-a levemente e roçou os dedos com a boca. Manteve seus olhos escuros fixados em seu rosto. Um calor a abraçou lentamente deslocando-se por seu braço e filtrando-se por todo seu corpo. A Carly custou manter um tom neutro.

—O prazer é meu, senhor De La Guerra.

Durante os últimos quatro anos, tinha estado estudando espanhol. Da morte de sua mãe, o irmão de sua mãe, o tio Fletcher, converteu-se em seu tutor. Tinha disposto que assistisse em Nova Iorque à Escola para senhoritas da senhora Stuart. Carly tinha rezado para que algum dia seu tio a chamasse a seu lado, ao oeste e finalmente o tinha feito quando fez dezoito anos.

O cavalheiro espanhol arqueou uma magra sobrancelha negra ante a correta pronúncia de suas palavras.

—Estou impressionado, senhorita. Fala espanhol?

—Muito pouco, senhor, e não como gostaria de falar —respondeu, mas desconcertada de repente, perguntou: — não compreendo por que seu acento é tão diferente do meu.

—É porque nasci na Espanha — disse sorrindo. Carly teria jurado que o via mais alto ainda. — O que escuta é uma ligeira inflexão da Castilla. Cresci na Califórnia, mas voltei à Espanha, fiz grande parte de meus estudos universitários em Madrid.

—Compreendo.

Carly esperava que não se desse conta que ela tinha passado a maior parte de sua vida na Pensilvânia, em um povoado miserável, perto da mina. Tinha crescido entre o carvão e as privações, junto a um pai que trabalhava quatorze horas diárias até que uma explosão de gás metano matou-o. E depois junto a uma mãe que se matava esfregando chãos para que pudessem comprar a comida indispensável.

Decidida que nem sequer suspeitasse, tentou seguir a conversa no tom sofisticado que tinha aprendido na escola da senhora Stuart.

—Europa — disse arrastando as palavras. —Que excitante! Possivelmente possamos conversar disto algum dia.

Algo cintilou nos escuros olhos do espanhol, um frio olhar escrutinador ou possivelmente desenganado, mas durou apenas um instante.

—Com muito prazer, senhorita.

Seu tio esclareceu a garganta.

—Cavalheiros, temo que tenham que me desculpar. — Carly sentiu a pressão de sua mão no braço. —Tenho que falar com minha sobrinha, e devo lhe apresentar a outros convidados.

—É obvio — disse Vincent Bannister, o do cabelo cor areia, e sorriu amavelmente a Carly. —Possivelmente, depois, a senhorita McConnell possa me conceder uma dança.

—É obvio que sim — respondeu seu tio.

Carly assentiu somente com um gesto. Sentia-se apanhada pelos olhos escuros e profundos do cavalheiro espanhol.

—Até mais tarde, senhorita — lhe disse, se inclinando apenas e deixando aparecer outro de seus sorrisos devastadores. —Voltaremos a nos ver.

A expressão de seu tio endureceu-se e lhe apertou o braço com mais força,

—Cavalheiros...

Sem dizer mais, conduziu-a para a majestosa casa de tijolo cru, passaram pela pesada porta de carvalho que levava a sala, cruzaram um corredor e chegaram a seu escritório. Fechou a porta.

Carly ficou nervosa ao notar a severidade de sua expressão. Começou a morder os lábios, perguntando-se o que tinha feito para lhe incomodar.

—O que acontece, tio Fletcher? Espero não ter feito nada mal.

—Não exatamente, querida.

Indicou que se sentasse em uma das cadeiras de madeira esculpida, junto a uma enorme mesa de carvalho que a antigüidade e o uso tinham escurecido. Fletcher se instalou atrás da mesa e se acomodou em uma cadeira de couro negro tachonada de bronze. Abriu uma caixa de cristal e extraiu um comprido charuto negro.

—Não se importa verdade?

—É obvio que não, tio.

Não se importava. Na realidade gostava do poderoso aroma do tabaco. Recordava seu pai e aos homens com quem trabalhava na mina. Uma súbita pontada de solidão golpeou-a. Alisou cuidadosamente os laços de sua saia e observou seu tio, tentando imaginar a razão de sua mudança de ânimo e no que poderia lhe haver aborrecido.

—É nova nestas terras, Caralee. Só leva três semanas aqui. Não teve tempo para aprender como funcionam as coisas aqui, para aprender nossos costumes. Com o tempo aprenderá, mas, enquanto isso...

—Sim, tio?

—Enquanto isso terá que confiar em mim para te guiar. Terá que fazer exatamente o que eu digo.

—É obvio tio Fletcher.

Que outra coisa podia fazer? Devia tudo a ele. Sua educação, a formosa roupa que levava, a oportunidade de uma nova vida no Oeste, inclusive a comida que tinha enchido seu estômago nos últimos quatro anos. À morte de seus pais, se não tivesse sido por seu tio, teria terminado em um orfanato ou em algo pior.

—Tente me compreender, querida. Um homem como eu conhece muita gente, como Royston, Wardell e William Bannister, gente que me faz favores muito importantes. Outros são simples vizinhos, como os Hollingworth, ou pessoas que valorizo por suas conexões sociais, como à senhora Winston e seu marido, George, esse casal que te apresentei esta tarde. Depois estão os californianos influentes, como os Montoya... E aqueles como Dom Ramón.

—Dom Ramón? O que acontece com ele?

—Minha relação com esse senhor é de uma natureza completamente distinta... Parece-se mais a uma obrigação. A família De La Guerra viveu na Califórnia desde os primeiros dias da presença espanhola. Em uma época, foram ricos e poderosos, conheciam todos os políticos em mil milhas ao redor. O que significa que, socialmente, tem que atender a dom Ramón.

—Compreendo.

—Mas, por desgraça, este homem já não conta com esse poder. Hoje em dia, seus recursos econômicos são limitados, e suas terras escassas. Tem a seu cargo sua mãe, uma tia anciã e a vários trabalhadores que se nega a abandonar. O que tento dizer, é que esse homem não está a sua altura. Espero que entenda e se conduza de acordo com isso.

—Não tinha me dado conta...

Mas estava pensando que na realidade, à exceção da formosa roupa e da educação que seu tio lhe tinha pago, era ela quem não estava à altura deste homem.

—As coisas são como conto — corroborou seu tio, em tom mais firme. —Mas agora sabe. E desde este momento, Caralee espero que aproveite a custosa educação que lhe ofereci nestes últimos quatro anos. Espero que desempenhe o papel da jovem sofisticada que já é, mas sobre tudo, espero que se relacione com as pessoas que eu indique. —Levantou-se da cadeira e se inclinou para ela — Está claro?

—Sim, tio Fletcher.

Um pouco de tensão partiu de seus ombros.

—Não quero ser duro, querida. Mas, acima de tudo, sou seu tutor. E meu dever é decidir o melhor para ti.

Possivelmente fosse. Mas não havia dúvida que estava obrigada a atuar como ele queria.

—Sinto muito, tio Fletcher. Prometo que não voltará a acontecer.

—Boa garota. Sabia que podia confiar em seu bom julgamento. Ao fim, é a filha de minha amada irmã Lucy.

Carly sorriu. Era evidente que seu tio e sua mãe tinham estado muito unidos. O mero feito de saber facilitava as coisas.

Enquanto caminhava a seu lado, para a música do fandango, com o som dos violões, o aroma de carne assada e a risada escandalosa dos peões e dos amigos de seu tio, prometeu-se que faria o quanto pudesse para lhe agradar. Esqueceria ao bonito cavalheiro espanhol.

Mas quando viu sua alta silhueta apoiada com elegância e graça na rugosa parede de tijolo cru da fazenda, quando vislumbrou os brilhos de prata e descobriu que seus olhos escuros a observavam intensamente, comprovou que não resultaria nada fácil esquecê-lo.


Ramón De La Guerra bebeu um gole de sangria e saboreou o delicioso vinho tinto misturado com o gosto agridoce de laranjas e limas. No pátio, Fletcher Austin apresentou sua sobrinha a outro grupo de anglo-saxões, alguns deles eram vizinhos, mas a maioria eram amigos que tinham viajado desde Yerba Buena, ou São Francisco, como agora chamavam à cidade.

Não podia negar que a sobrinha de Austin era uma garota encantadora. Tinha uma pele branca como o marfim, um cabelo brilhante, um rosto oval com feições delicadas e uma pequena fenda no queixo, ouviu que comentavam que sua beleza podia se comparar a dos anjos. Não era muito alta, bem proporcionada, com uns seios redondos e uma cintura incrivelmente fina.

Depois que os apresentaram, por um momento Ramón De La Guerra, acreditou que possivelmente fosse diferente do que tinha imaginado. Parecia transmitir calidez e encanto coisas que seu tio carecia totalmente. Mas logo, demonstrou ser nada mais que a menina mimada e sofisticada que esperava. Atuava em lugar de sentir, era fria, distante e pretensiosa.

De La Guerra, tinha solicitado uma dança a Carly quando voltava da conversa com seu tio, mas tinha negado com maneiras cuidadosamente distantes e extremamente formais. Poucos depois a tinha visto dançar com Vincent Bannister. Por quê? Bannister tinha muito mais dinheiro que ele, e o dinheiro era o que sempre procurava uma mulher como essa.

Ramón tinha conhecido muitas mulheres dessa classe. Iam a Madrid na melhor época do ano, viajavam com o dinheiro de seu marido, procuravam diversão e excitação em uma terra longínqua e estranha e eram presas fácil para um homem como ele... Ou possivelmente as coisas eram ao contrário...

À luz da lua, Ramón, entreviu um brilho de cabelo brilhante, viu o resplendor de uns olhos esmeralda da cor de um vestido, e recordou outra dessas mulheres. Lillian Schofield. Lily, de grandes olhos azuis e cabelo loiro muito claro. Lily, a mulher que quase tinha chegado a amar.

Voltou a olhar à sobrinha de Fletcher Austin. Era mais jovem que Lily, mas com o tempo se tornaria igual a ela... Se já não o fosse nesse momento. Entretanto, seria interessante levá-la à cama. Era sem dúvida uma tentação, e o matiz de vingança que teria contra seu tio faria ainda mais deliciosa à aventura.

Mas Austin era um homem poderoso e, nos tempos que corriam isso resultaria excessivamente perigoso. E também, havia outros assuntos que devia considerar.

Observou à garota, que conversava com Winston Wardell, outro dos acomodados amigos de seu tio. Sorria-lhe e depois riu com suavidade por algo que disse Wardell. Sim, era mais que tentadora. Possivelmente teria que esperar e ver...

—Boa noite, dom Ramón.

Elevou a vista e viu Isabel Montoya de pé a seu lado. Surpreendeu-lhe não ter notado que se aproximava.

—Boa noite, senhorita Montoya. Espero que esteja se divertindo.

Uns lábios vermelhos desenharam uma graciosa careta.

—Com meu noivo de viagem, em realidade não me divirto muito. Às vezes não é fácil divertir-se quando estamos sozinhos verdade?

—Sim senhorita — disse sorrindo — Sempre dói quando um ser querido está longe.

Isabel sorriu docemente. Tinha o cabelo negro e os olhos escuros, era jovem e irresistivelmente bela.

—Perguntava-me... Que... Possivelmente... Como também está sozinho... Poderíamos nos divertir juntos.

—Não acredito que seu prometido goste desta ideia — respondeu, franzindo o cenho. —Pelo resto, não está sozinha. Também estão aqui sua irmã, seu irmão, seus pais e Luisa, sua dama de companhia.

Seus grandes olhos escuros percorreram seu rosto. Sob a mantilha branca de encaixe, parecia ainda mais jovem, que os dezesseis anos que tinha.

—Estou certa que não tem medo de meu pai, nem tampouco de dom Carlos. — Passou-lhe os dedos pelas lapelas da jaqueta, o roçando ligeiramente. Seus olhos seguiam percorrendo seu rosto. O convite era indubitável. —Ouvi dizer que você, quando se trata de senhoras...

A tomou pelos pulsos, interrompendo suas palavras.

— Esqueceu senhorita, que seu prometido, dom Carlos Ramírez, é meu amigo. Não farei nada que ameace esta amizade. —A fez girar sobre seus calcanhares e a empurrou brandamente para a direção oposta. —E no futuro, senhorita, se ouvir algo como a conduta da qual presenciei esta noite, asseguro-lhe que informarei a seu pai. Possivelmente uma mudança de ares bastará para que se divirta. — Girou-se para encará-lo, ficou muito reta, seus olhos escuros jogavam fogo. Ele impediu que falasse. —Uma palavra mais, menina, e o farei agora mesmo.

—Você... Você não é um cavalheiro.

—E você, jovenzinha não está se comportando como uma senhorita. Vai agora e da próxima vez, pense antes de abrir a boca.

As lágrimas se acumularam em seus formosos olhos escuros. E partiu correndo.

Ramón a contemplou partir, pensando que possivelmente devesse havê-la tratado com mais calma. "Mulheres" murmurou na escuridão. Pensou na conduta da jovem e se perguntou se a amizade de seu pai com tantos anglo-saxões era a razão de que se atrevesse a comportar-se dessa maneira.

Viu seu irmão Alfredo. Estava se aproximando. Mas não foram as palavras de Alfredo que interromperam seus pensamentos. Foi o surdo tamborilar de cascos que açoitavam a terra. Um cavaleiro irrompeu pela porta traseira da extensa fazenda, gritando e agitando seu poeirento chapéu de feltro.

—O que ocorre? —perguntou Alfredo, caminhando para lá — O que acontece?

—Não sei — disse Ramón.

Apressaram-se em direção aos estábulos, onde o homem tinha detido bruscamente o cavalo. Fletcher Austin, William Bannister e Royston Wardell uniram-se a eles.

—O que ocorreu? —perguntou Austin ao homem. O homem avançava para eles, montado em seu animal cansado coberto de espuma.

—É o Dragão espanhol — disse, quase sem fôlego. — Esse bastardo! O Dragão deu um golpe nas terras altas, no limite com a fazenda de Hollingworth. Assaltou um carregamento de ouro que vinha da casa da moeda de São Francisco.

Hollingworth se adiantou da escuridão da cavalariça. Era um homem de mais de cinquenta anos, alto e magro e um pouco curtido pelos anos de duro trabalho. Reconheceu o cavaleiro como um de seus homens.

—Por Cristo! Red, a maior parte desse ouro era nosso. Dinheiro que necessitava para pagar a minha gente.

—Atacou cedo, senhor. Nunca tinha atuado dessa maneira. Foi imediatamente depois que os carros deixaram para trás Beaver Creek, assim que escureceu. Dizem que apareceu como um relâmpago. Apoderou-se do ouro e quando se deram conta do que ocorria, já estava a meio caminho das colinas.

—Maldição! Esse canalha nos pegou despreparados. Tinha um mau pressentimento antes de vir aqui esta noite.

O homem chamado Red arranhou sua barba incipiente de um dia.

—São ardilosos.

—Mataram alguém? —interveio Fletcher Austin.

—Não, ele e seus peões tomaram o ouro e escaparam.

—Quantos eram? —perguntou Austin.

—Uma dúzia mais ou menos, — disse o guarda. —Estou procurando ajuda para ir atrás deles. Pensei que a maioria dos homens estavam aqui.

—Pega seu cavalo, Charley! —gritou Austin ao Hollingworth — Vou reunir meus homens.

—Eu também vou — propôs Ramón junto com Alfredo Montoya.

—Para que? —interveio Hollingworth. —A estas horas este bastardo deve estar muito longe, a meio caminho de sua guarida nas rochas.

—Desta vez o encontraremos — disse Austin, abrindo de um golpe a pesada porta das cavalariças. — Não nos deteremos até acabar com esse filho da puta.

Outros homens murmuraram seu acordo. Já eram muitos os que tinham acudido. As mulheres estavam de pé junto à porta, sem saber exatamente o que acontecia, olhando os homens tirar os cavalos selados. Ramón montava seu alazão de crinas pálidas e estava à espera de Alfredo. Voltou-se, ao escutar uma voz de mulher.

—O que acontece, tio Fletcher?

Caralee pegou seu tio pelo braço, seu belo rosto mostrava inquietação e com a outra mão segurava o xale de caxemira que cobria seus ombros nus.

—Retorne para casa, querida. Isto é assunto de homens. Se ocupe de nossas convidadas e nos ocuparemos do resto.

Ramón notou que desejava obter mais informação, abriu a boca para falar, mas desistiu.

—Estou segura que meu tio Fletcher sabe e o que fazer — disse às mulheres. —Voltemos para casa, tomemos um xerez. A tensão da noite está afetando a todas nós.

Olhou insegura, a Ramón, deu meia volta e começou a partir.

"A tensão da noite" pensou Ramón. Perguntou a si mesmo quanta tensão, poderia suportar a pequena mimada Caralee McConnell, se levasse a vida que muitos de seu povo se via obrigado a levar devido às traições e cobiça de homens como Fletcher Austin.

—Cavalgando — ordenou Austin. —É hora de partir.

Ramón seguiu Austin e a seus homens, a todo galope, para o rancho de Hollingworth.


Não tiveram sorte e não encontraram o bandido. O tio Fletcher esteve de mau humor durante quase duas semanas. Pela tarde passeava a frente da enorme lareira de pedra que havia em um extremo da sala. Carly tentava lhe falar, para tranquilizá-lo de algum modo, mas seu tio tinha um temperamento agressivo e geralmente, a expulsava da estadia.

No inicio da terceira semana, voltou a se parecer com o homem que tinha sido antes. Conversavam durante o jantar, embora nunca citassem O Dragão. O tio Fletcher se espraiava a respeito de seus lucros no rancho, o aumento do gado, os cavalos e a respeito dos planos que tinha para o futuro.

—Meu destino está na política. Este estado necessita de homens que se ocupem em fazer prosperar o comércio. Homens que se encarreguem de que se faça justiça. Quero ser um desses homens, Caralee.

—Estou segura que já tem feito grandes contribuições, tio Fletcher.

Estavam sentados ao redor da longa mesa de carvalho da sala de jantar, desfrutando do jantar. Tinham servido carnes assadas, omeletes recém assadas, bolo de maçã, bolo de cebola, alho, galinha, milho e mostarda. A insólita comida era deliciosa, como já tinha descoberto Carly, embora houvesse custado um pouco que seu estômago se adaptasse a esses sabores picantes e com tanto condimento.

O tio Fletcher se serviu um segundo prato.

—Possivelmente deva começar pedindo uma entrevista à Comissão de Terras — disse. —Bannister tem bons contatos ali. Possivelmente... —interrompeu-se e sorriu. Depois de uns segundos, prosseguiu — O jovem Vincent seria um bom partido. E ele, parece estar muito interessado em você.

Carly concentrou a mente no jovem com que tinha dançado, mas a sua imagem se sobrepôs a do cavalheiro de olhos escuros.

—Vincent... Sim, parece um homem bastante agradável.

—Alegra-me que você goste querida. Voltará a vê-lo muito em breve.

Ela arqueou uma sobrancelha. Demorava-se dois dias em chegar ao Rancho dos Carvalhos vindo de São Francisco. Não contava que o jovem voltasse tão cedo.

—Verdade? E por quê?

—William e eu estamos organizando uma corrida de cavalos. Bannister convidou meia cidade. Como poderá imaginar, será todo um acontecimento.

Carly se sentia repentinamente excitada.

—Uma corrida de cavalos? Aqui? No rancho?

—Exatamente. William comprou um animal esplêndido. Um garanhão puro sangue chamado Raja, que acaba de chegar da Austrália. Correrá contra o andaluz de De La Guerra.

—Refere-se ao alazão de dom Ramón?

Tinha visto o magnífico animal aquela noite, fora da cavalariça.

—Esse mesmo. Até agora ninguém o venceu. William tentou comprá-lo, mas De La Guerra rechaçou todas suas ofertas. Bannister não se renderá. Desafiou o espanhol a uma corrida. Procurou e procurou um cavalo que fosse capaz de ganhar.

—Mas me disse que De La Guerra tinha muito pouco dinheiro. Seguro que devem estar apostando algo.

Austin assentiu.

—Bannister apostou dois mil dólares contra o andaluz.

Carly refletiu. Se o dinheiro era um problema, era provável que dom Ramón precisasse ganhar. A mera ideia de que ele perdesse a corrida e com ela um cavalo tão formoso, parecia-lhe intolerável. Surpreendeu-se ao ver que esperava que ganhasse.

Não havia voltado a ver o espanhol desde a noite da festa. Mas de vez em quando sua imagem alta e forte e tão aposta, assaltava sua mente. Pensou nele e tentou convencer-se de que a excitação que a agitava era devido à iminência de outra festa. Tentou-o, mas algo lhe dizia que isso não era certo.


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