Matas ciliares e áreas de recarga hídrica renato Marques Lígia Carla de Souza




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CAPÍTULO 5


MATAS CILIARES E ÁREAS DE RECARGA HÍDRICA

Renato Marques

Lígia Carla de Souza

5.1. INTRODUÇÃO
A água é um recurso único cuja importância transcende os demais recursos naturais, sendo a “fonte da vida” e o vetor dos processos na natureza. Possui, ainda, a propriedade de atuar como substância indicadora dos resultados do manejo da terra pelo homem.

A qualidade de um corpo d’água está ligada à geologia, tipo de solo, clima, tipo e quantidade de cobertura vegetal e ao grau e modalidade de atividade humana dentro de uma bacia hidrográfica.

Existem duas zonas dentro de uma bacia hidrográfica que possuem particular importância para a manutenção da quantidade e da qualidade da água na mesma. São as áreas de recarga hídrica e as zonas ripárias, onde estão normalmente localizadas as matas ciliares. As áreas de recarga hídrica são responsáveis pela recepção da água que cai por precipitação e penetra no solo, chegando aos cursos d´água. Nas zonas ripárias, às margens dos cursos d´água, as matas ciliares se desenvolvem e têm um importante papel como barreira física (entre outros), regulando os processos de troca entre o ambiente terrestre e o aquático. Ambas estas zonas precisam ser protegidas para garantir água de boa qualidade nas bacias hidrográficas.

Com o advento do crescimento populacional e com expansão agrícola, muitas destas áreas, antes cobertas por florestas, foram transformadas em áreas urbanizadas, de cultivo ou para criação pecuária. Estas mudanças, em muitos casos, foram responsáveis por processos de erosão e aporte de poluentes, comprometendo seriamente a qualidade dos cursos e mananciais d´água. Este fato, adicionalmente, tem contribuído para a exaustão de muitos recursos hídricos importantes.

Uma das ações mais eficazes para reverter este processo, sobretudo nas áreas não urbanizadas, passa pela revegetação das áreas de recarga hídrica e das zonas ripárias, sobretudo quando se adotam técnicas de revegetação que levem em consideração a flora anteriormente existente no local.
5.2. SITUAÇÃO DA COBERTURA VEGETAL
Segundo dados recentemente levantados pela Embrapa (2004), através da interpretação de fotos áreas e sensoriamento remoto, no Brasil, as florestas atualmente correspondem à 54,55% da área total do nosso território (Tabela 1). Os 45,45% restantes correspondem a práticas agropastoris (34,84%), campos e savanas (8,6%), corpos d’água naturais e artificiais (1,35%), rochas e solo nu ou com vegetação dispersa (0,41%) e áreas urbanizadas (0,24%).

Esta cobertura florestal, em termos percentuais poderia ser considerada adequada se não fosse concentrada em sua maior parte na Amazônia. Nas demais regiões do Brasil e, sobretudo, nos estados do sudeste e sul do Brasil, de uma maneira geral, este percentual é bem menor.


Tabela 1. Situação atual da cobertura florestal no território brasileiro

CLASSES

ÁREA (km2)

% DE COBERTURA

Florestas úmidas

3.677.074

43,2

Florestas secas

544.299

6,4

Florestas inundáveis

142.149

1,7

Florestas arbustivas

282.403

3,3

TOTAL

4.645.925

54,5

Fonte: Embrapa (2004)
No estado do Paraná, observa-se atualmente uma forte valorização das terras no tocante à sua função ambiental. Com o surgimento dessa necessidade de valores quantitativos e qualitativos sobre a cobertura florestal do estado, a Secretaria de Estadual de Meio Ambiente (SEMA), juntamente com o Instituto Ambiental do Paraná (IAP) e a Fundação de Pesquisas Florestais do Paraná (FUPEF), realizaram três projetos de mapeamento da vegetação. O primeiro corresponde ao mapeamento da Floresta Ombrófila Densa (Mata Atlântica), o segundo refere-se ao sub-projeto “Conservação do Bioma Floresta com Araucária” do Projeto “Probio” e o terceiro trata-se do “Mapeamento e quantificação dos remanescentes de Floresta Estacional Semidecídual”. Os dados obtidos nestes projetos, gerou o “Atlas da Vegetação”, disponível em SEMA (2004).

Segundo os dados levantados por SEMA (2004), a vegetação arbórea primitiva era de 181.644,13 km2 ou 90,9% da área total do estado, sendo que os 9,1% restantes referem-se a outros tipos de formações vegetais, como por exemplo os campos naturais. Na Tabela 2 tem-se, de forma resumida, o quadro da cobertura natural arbórea, atual, no Paraná.


Tabela 2. Quadro atual da cobertura florestal primitiva do estado do Paraná

Vegetação Arbórea

Situação atual (km2)

% vegetação primitiva

Estágio inicial

18.589,0

10,2

Estágio médio

20.419,6

11,2

Estágio avançado

6.170,2

3,4

Total

45.178,9

24,9

Adaptado de SEMA (2004)
Os números acima indicam que os remanescente florestais somam 45.178,9 km2, o que corresponde a 24,9% das florestas que em outros tempos existiram no Paraná. Isto indica que a perda florestal foi de 75,3%, tornando a situação ainda mais crítica quando contabilizamos apenas os estágios mais desenvolvidos (médio e avançado), com 14,6% ou apenas o estágio avançado, com apenas 3,4%. As perdas, nestas situações, foram, respetivamente, de 85,4% e de 96,6%. Mais crítica ainda é a situação, pois grande parte do que restou das coberturas florestais primitivas encontra-se concentrado em apenas uma região, ou seja, trata-se de remanescentes florestais da Mata Atlântica na Serra do Mar.

A distribuição quantitativa da vegetação nas principais mesorregiões do Paraná pode ser vista na Tabela 3. É possível observar que as florestas e reflorestamentos paranaenses cobrem atualmente uma área de cerca de 50.900 km2, ou seja, aproximadamente 25% do território do estado. Conforme comentado anteriormente, a maior preocupação resulta da pequena cobertura florestal existente na maior parte das mesorregiões e do pequeno percentual de áreas com vegetação em estágio avançado da sucessão ecológica. O que sobrou da cobertura florestal primitiva vem sofrendo processo de degradação contínuo ainda nos dias de hoje, o que tem contribuído também para a diminuição da qualidade das águas nestas regiões.





Figura 1. Mapa da situação atual das principais formações vegetais no estado do Paraná.

(observação: vamos ter que melhorar este mapa) – Fonte: EMBRAPA????

Tabela 3. Cobertura atual (km2) da vegetação arbórea e reflorestamentos por mesorregião do estado do Paraná



Mesorregião

Área (km2)

Estágio inicial

Estágio médio

Estágio avançado

Reflorestamento

Noroeste

24.816,0

1.255,6

994,6

24,1

45,9

Centro Ocidental

11.919,8

688,1

624,7

9,6

69,7

Norte Central

24.532,2

1.236,3

1.321,0

22,9

129,8

Norte Pioneiro

15.727,1

1.197,3

810,2

17,6

126,9

Centro Oriental

21.782,5

2.389,7

2.544,4

100,9

2.381,7

Oeste

22.908,6

1.680,3

2.565,4

928,5

145,1

Sudoeste

11.638,4

670,4

628,0

61,6

72,9

Centro Sul

26.381,1

2.612,2

3.901,3

320,7

845,2

Sudeste

17.006,5

2.756,6

3.041,5

79,0

600,6

Metropolitana Curitiba

23.015,12

4.102,2

3.988,1

4.604,8

1.286,0

Total

199.727,3

18.589,0

20.419,6

6.170,1

5.703,7

Adaptado de SEMA (2004)
Na Região Metropolitana de Curitiba (RMC), onde insere-se a Bacia do Iraí, a situação é aparentemente boa, se for levado em consideração que aproximadamente 60,75% da área encontra-se com cobertura florestal, sendo que o estágio avançado representa 20% do total. Mas estas áreas estão mal distribuídas na RMC, sendo que os remanescentes da floresta primitiva encontram-se concentrados nas encostas da Serra do Mar, área protegida por lei. Os 40% restantes vêm sofrendo processo contínuo de degradação, principalmente relacionado à urbanização desenfreada. Na figura 2, pode ser vista a distribuição espacial atual da cobertura florestal na Região Metropolitana de Curitiba.

F
igura 2. Estado atual da conservação das florestas na RMC. (Fonte: EMBRAPA?????) Também vamos ter que melhorar este mapa.


5.4. BACIAS HIDROGRÁFICAS
O termo bacias hidrográficas refere-se a uma compartimentação geográfica natural delimitada por divisores de água (Souza & Fernandes, 2000), drenado superficialmente por um curso d’água principal e seus afluentes (Silva, 1995). Cada bacia hidrográfica interliga-se com outra de ordem hierárquica superior, constituindo, em relação à última, uma sub-bacia.

Considerando-se a definição acima, para o caso específico da Bacia do Iraí, a preservação de seus recursos hídricos e a manutenção da qualidade da mesma é de suma importância, pois além de abastecer a Região Metropolitana de Curitiba, integra a bacia do Iguaçú, que abastece um número ainda maior de municípios. Esta, por sua vez, faz parte da Bacia do Paraná, que compõe a Bacia do Prata. Esta inter-dependência entre as diferentes bacias hidrográficas deveria ser levada em consideração pelos dirigentes em seus projetos de desenvolvimento, de forma a garantir um meio ambiente mais equilibrado.

A subdivisão de uma bacia em sub-bacias permite a pontualização de problemas difusos, tornando mais fácil a identificação de problemas de degradação de recursos naturais, dos processos de degradação ambiental instalados e o grau de comprometimento da produção sustentada existente (Fernandes e Silva, 1994).

A área da bacia tem influência sobre a quantidade de água produzida (deflúvio). A forma e o relevo, por outro lado, tem influência sobre a taxa, ou sobre o regime de produção da água, como também, sobre a taxa de sedimentação, sendo que, muitas das características físicas da bacia são, em grande parte, controladas ou influenciadas pela estrutura geológica da mesma (Zakia, 1998).

Segundo Souza & Fernandes (2000), fazem parte da paisagem de uma bacia hidrográfica as zonas de erosão e zonas de sedimentação. As zonas de erosão são vertentes em declives e comprimentos de rampas favoráveis a processos erosivos, podendo ser acelerado pelo indevido uso. Estas áreas são as principais contribuintes para o carreamento de sedimentos para os cursos de água e reservatórios, podendo causar assoreamento e turbidez das águas superficiais. Nestas áreas torna-se necessário a manutenção da vegetação, como também, quando necessário, a revegetação da mesma. O segmento mais baixo da bacia hidrográfica são as planícies fluviais, as várzeas, que constituem as zonas de sedimentação. É neste segmento de paisagem que deve permanecer a vegetação ciliar cuja largura será de acordo com a largura do curso d’água.

Na Bacia do Iraí observa-se que as áreas com vegetação florestal nativa correspondem a cerca de 40% da área da bacia. Destes, entretanto, apenas 16,8% correspondem à vegetação em estágio avançado da sucessão secundária (Tabela 4). Vegetação primária já não existe mais e um grande percentual da vegetação arbórea encontra-se em estágio inicial de regeneração. Ou seja, representam, em grande parte, áreas com potencial de exploração (leia-se risco de degradação), pois são vegetadas com bracatinga (Mimosa scabrella) cuja exploração é autorizada pelos orgão ambientais.


Tabela 4. Distribuição territorial do uso das terras na Bacia do Iraí

Uso atual

Área (ha)

Área (%)

Veg.secundária avançada

1622,54

16,8

Veg. secundária Inicial

2374,38

24,6

Campo

1308,51

13,5

Reflorestamento

218,97

2,3

Pastagem

268,76

2,8

Agricultura

1721,17

17,8

Clube de golfe

46,3

0,5

Urbanização

1993,92

20,6

Mineração

85,59

0,9

Água

23,32

0,2

TOTAL

9663,46

100
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