Jurema (O culto) 2/7/2008 9: 15: 43




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Jurema (O culto)
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O culto Jurema abranger praticas oriundas do espiritismo, Catolicismo, da Umbanda, da Pajelança, das magias Européia e oriental.



A Jurema era denominada originalmente de CAATIMBÓ (fumaça do cachimbo) hoje em dia não se usa, pois, o termo foi deturpado e é generalizado como 0 feitiçaria e bruxaria malefício.

A Jurema busca o contato com o mundo espiritual através da ciência do Caatimbó.

A ciência, para o discípulo de jurema é uma sabedoria que toda pessoa possui e que foi dada por Deus, mas que esta adormecida na maioria das pessoas, quando a pessoa desperta essa sabedoria adormecida, através de rituais de confirmação, consagração, encimentação se diz que essa pessoa tem ciência.

Essa ciência permite ao Juremeiro entrar em contato com o mundo invisível e desse contato promover significantes modificações em destinos e auxiliar a modificações nos destinos de outras pessoas, tais como: restabelecer a saúde, prosperidade financeira, felicidade amorosa e desenvolvimento da espiritualidade que cada pessoa possui em sua essência.

O juremeiro vê alem da forma material que as coisas possuem. Ele sabe que todas as coisas e acontecimentos possuem a sabedoria divina e passa a aprender conscientemente a lidar com elas obtendo a chamada felicidade interior.

O chão, os rios, s lagoas, as fontes De águas, as matas, os animais, a chuva, o vento, o mar, o ar que respira, o alimento que ingere, os” antepassados, e as pessoas vivas são sagrados para o juremeiro.

Um autentica juremeiro se torna uma seta no caminho das pessoas indicando uma vida melhor no meio de tanta contradição que existe no mundo.

O catimbozeiro não interfere na vida das pessoas, mas quando é solicitado pode colaborar no bem estar que as pessoas procuram. O que simboliza o caatimbó é a arvore jurema, que para os catimbozeiros é um símbolo de força e de energia e poder.

Da árvore jurema se retira sementes para encimentação de novos discípulos, o tronco para levantar no mundo material a representação do mestre do invisível e prepara com a raiz uma bebida de força chamada, dependendo do lugar de CAUIM, JUREMA, MESTRE, e CIÊNCIA.

Um Discípulo de Juremas passa por vários graus de desenvolvimento para se tornar um padrinho mestre, que é o grau que um juremeiro pode chegar, Os graus são os seguintes:

1º) Discípulo Apontado.

2º) Discípulo Consagrado.

3º) Mestre.

4º) Padrinho.

5º) Padrinho Mestre.

O Discípulo Apontado É a pessoa que é convidada para fazer parte das seções de jurema começando daí seu desenvolvimento e seu primeiro contato com o mundo invisível.


Nesse estagio ela pode percorrer um dos caminhos dos discípulos.
Um dos caminhos é o do CURUPIRO,(Guardião da Jurema – o mesmo que ogã no candomblé, eu prefiro Guardião segundo Rio Verde, o Guardião da jurema e o Juremeiro principal dentro de um Caatimbó) que é uma pessoa que auxilia os mais velhos nas seções, entregando os materiais pedidos pelos espíritos, ou arrumando o ambiente para a sessão, (não entram em não há acostamento), o outro caminho é o da caixa que são pessoas que entram em transe (os mestre acostam).

Discípulo Consagrado É o que passou pelos rituais de confirmação, consagração, e encimentação, tanto o curupiro (Guardião da Jurema), quanto a caixa passam por esses rituais.

Mestre É a pessoa que tem condições de atender as pessoas através de sua ciência.

Padrinho É o discípulo que inicia novos discípulos no culto de jurema.

Padrinho mestre É o discípulo que a raiz de vários grupos de catimbozeiros.

Obs.: tanto a caixa quanto o curupiro (Guardião da Jurema) podem ter ciência para se tornar um padrinho mestre.

.Os Espíritos da Jurema.

Os Mestres e Mestras São espíritos dos antepassados, pessoas que quando vivas cultuavam a Jurema e que depois de desencarnarem trabalham nas sessões de jurema.

Os Encantados São espíritos elementares ou sendo espíritos ligados à natureza que no momento da morte se encantaram em animais e plantas.

Os Príncipes São parecidos com os encantados com a diferença de que estam ligados à natureza, mas não se encantaram em plantas nem animais.

Os Reis e Rainhas espíritos milenares que por sua antiguidade podem atuar nos fenômenos naturais em beneficio da humanidade

Obs.: Os mestres e as mestras são de dois tipos: os trabalham na direita ou sendo o que executam trabalhos de construir, e os que trabalham na esquerda que são os responsáveis por destruir certas situações.

Os Mestres e as Mestras vêem em diversas linhas ou chamadas, as principais são:

*Caboclos são espíritos mistos de índios com brancos e geralmente são todos oriundos do norte e nordeste do Brasil.

*Os Boiadeiros Espíritos sertanejos ligados ao interior do nordeste, havendo algumas exceções quanto a espíritos
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que vem de 4 outras regiões do pais e do mundo, são ligados a vaquejar gado.

*Os Pajés espíritos de antigos indígenas das terras brasileiras.

*Os Ciganos espíritos errantes que tem atuação nos trabalhos de magia Européia e Oriental, são juremeiros somente aqueles que foi para o nordeste e teve contatos com os índios.

*Os curadores espíritos de médicos rezadeiras e xamãs, raizeiros.

*Os pretos velhos antigos rezadores do Brasil de descendência africana, são homenageado porem não são Juremeiros, os que são Juremeiros leva o nome de mestre antes de seus nomes.

A cidade da jurema (elemento e composição)

A cidade da jurema e um dos doze reinos na qual o mestre que foi consagrado pertence ele na verdade é um altar composto e organizado da seguinte forma:

VEJAMOS QUE JUREMA NÃO E RECEITA DE BOLO E UM CIENCIA, SÓ ESTA AI O BASICO, A CIENCIA E O QUE LEVA CADA CABOCLO / MESTRE E BUSCADO A CIENCIA DE CADA UM.
Princesa mestra -> A Direita do Mestre / Caboclo É uma taça ou bomboniere de cristal com água. Serve para tranqüilizar e equilibrar a ciência no fundo e um cristal de torre para que aja simpatia, com exceção do reino das covas de Salomão.
Ao redor do príncipe mestre ficam sete príncipes (copos) ou sete princesas (taças) cada um tem um significado especifico para jurema.
A frente do conjunto dos príncipes e princesas fica o castiçal de três bocas,
Onde se acende três velas brancas que são os três generais da jurema o da esquerda e o da guarda das almas, o do centro é o guarda da cidade espiritual do discípulo, a da direita é o da guarda das matas de onde vem a ciência do caatimbó.
Ao lado direito fica o bodoque dos caboclos, com uma quartinha d’água usada para abrir os caminhos para as pessoas.
Ao lado esquerdo fica o cruzeiro de luz que simboliza as almas dos mestres com seu rosário para a solução dos problemas. Também fazem parte da cidade, Uma campa (sino) par as evocações.
Uma garrafa de cauim (jurema) que desperta a ciência e atrai o espírito.
Uma garrafa de mironga de cabeça para a purificação.
Três ofertórios um com mel outro com vinho e o outro com incenso.
uma garrafa de água benzida para livrar das perturbações.
A marca mestra que é uma maraca feita de cabaça para as louvações são duas a da esquerda e a da direita.
A marca cachimbo de jurema dependendo da ciência para armazenar e enviar recados, um para esquerda e outro para a direita.
A mistura para cachimbo, fumo, erva doce, alfazema, alecrim, âniz estrelado.
Esses Elementos Básico, e que compõem a mesa da Jurema,
Sendo que a Esquerda do Caboclo e a Esquerda do Mestre fica escondido de baixo da Mesa e ou um lugar sendo o acesso somente ao Padrinho Mestre, Madrinha de Vela, Juremeiro dono da Corrente, e ou o Guardião da Jurema (Curupiro).

Esses reinos pertence aos primeiros caatimbozeiros, os que iniciaram o culto da jurema.

Fazem parte desse reino as Caiporas, que são encantados da família de Florzinha e os Curupiras, ambos são muito temperamentais.

Daí o motivo desse reino ter vários curandeiros, casamenteiros, violeiros, rezadores, parteiras, praticam a magia imitativa e simpática.


Obs.: Reis, Rainhas, príncipes, princesas, encantados da mata, e fidalgos do tempo do Brasil Colônia.

Cidade (aldeia) Estrela Dalva. Reino do Vajucá (Atividade) Este reino se localiza ao nascer do dia na direção ao norte, depois ele perde o contato. É um reino de muitos mestres do Rio Grande do Norte e redondezas, com grande afluência de caboclos e pretos velhos, existem grandes conhecedores de plantas medicinais neste reino. É um reino ligado aos caboclos sérios e caboclos bravos. É um reino constituído de grandes florestas e caatingas tribos inteiras moram nesta matas.


A cidade da jurema (elemento e composição) A cidade da jurema e um dos doze reinos na qual o mestre que foi consagrado pertence ele na verdade é um altar composto e organizado da seguinte forma:

Religião Jurema Sagrada – Catimbó;

A Jurema (Acacia - Jurema) é uma das muitas espécies das quais a ACACIA, Várias espécies de Acácia nativas do nordeste brasileiro recebem o nome popular de "Jurema". As Acácias sempre foram consideradas plantas sagradas por diferentes povos e culturas de todo o mundo; Os Egípcios e Hebreus veneravam a "Acacia nilotica" (Sant, Shittim), os Hindus a "Acacia suma" (Sami), os Árabes a "Acacia arabica" (Al-uzzah), os povos indígenas do oeste da América do sul veneravam a "Acacia cebil"(vilca), e os índios do nordeste brasileiro tinham na "Acacia jurema" (Jurema, Jurema, Calumbi) a sua árvore sagrada, a sua Acacia.

Jurema Sagrada como tradição "mágica" religiosa, ainda é um assunto pouco estudado. É uma tradição nordestina que, em suas multiplas formas atuais, revela influências as mais variadas, e que vão desde a feitiçaria européia até a pajelança indígena, passando pelas religiões africanas, pelo catolicismo popular, e até mesmo pelo esoterismo moderno e pelo cristianismo esotérico, além de, em certos casos, estabelecer a diferença principal entre as práticas de umbanda e do catimbó.

O culto da Jurema está para a Paraíba, assim como o Iroko está para a Bahia. Esta arvore tipicamente Paraibana, apesar de existir também em outros estados do nordeste, era venerada pelos índios potiguares e tabajaras, muitos séculos antes da descoberta Brasil. Em Pernambuco, existe um município cujo nome e Jurema devido a grande quantidade destas árvores que ali se encontra. A jurema (mimosa hostilis) depois de crescida é uma frondosa árvore que vive mais de 200 anos. Todas as partes dessa arvore são aproveitadas: a raiz, a casca, as folhas e as sementes, utilizadas em banhos de limpeza, infusões, ungüentos, bebidas e para outros fins ritualísticos. Os devotos iniciados nos rituais do culto são chamados de “Juremeiros”.
Foi na cidade de Alhandra, município à poucos quilômetros de João Pessoa, que esse culto, na forma do Catimbó alcançou fama.(No Bairro do Acaes – onde a dona da casa era uma Juremeira chamada Maria, após a sua morte hoje desce rito como uma etidade Mestra Maria do Acaes, e Zezinho do Acaes, ate hoje lá tem o cruzeiro de luz da cidade e a casa onde ela realizava os seus cultos, na herarquia ela e a minha bisavó na jurema que iniciou o meu avó Baba Carol que mora da cidade de Natal, e a sua primeira semente se chama Baba Jeova Brasil, e o me iniciou. Baba Carol foi que teve a missão de levar a Jurema para o Rio Grande do Norte, ainda moço, e apos esses longos anos de na estrada espiritual, as entidades esta me preparando para que nessa epoca que levar a ciencia para o centro oeste do Pais, e por isso que as minhas correntes vem o mestre que era responsavel pela a casa e os trabalhos de minha bis avo Maria do Acaio, mestre Jose Galo Preto.a minha casa conforme o meu guia de luz Caboclo Rio Verde se chamara “Cidade do Tronco da Jurema do Acaio”.

A Jurema ja´era cultuada na antiguidade por pelo menos dois grandes grupos indígenas, o dos Tupis e o dos Cariris também chamados de Tapuias. Os Tupis se dividiam em Tabajaras e Potiguares, que eram inimigos entre si. Na época da fundação da Paraíba, os tabajaras formavam um grupo de aproximadamente cinco mil índios. Eles ocupavam o litoral e fundaram as aldeias Alhandra e a de Taquara.

A Jurema sagrada é remanescente da tradição religiosa dos índios que habitavam o litoral da Paraíba e dos seus pajés, grandes conhecedores dos mistérios do além, plantas e dos animais. Depois da chegada dos africanos no Brasil, quando estes fugiam dos engenhos onde estavam escravizados, encontravam abrigo nas aldeias indígenas, e através desse contato, os africanos trocavam o que tinham de conhecimento religioso em comum com os índios. Pôr isso até hoje, os grandes mestres juremeiros conhecidos, são sempre mestiços com sangue índio e negro. Os africanos contribuíram com o seu conhecimento sobre o culto dos mortos egun e das divindades da natureza os orixás voduns e inkices. Os índios, estes contribuíram com o conhecimento de invocações dos espíritos de antigos pajés e dos trabalhos realizados com os encantados das matas e dos rios. Daí a jurema se compor de duas grandes linhas de trabalho: a linha dos mestres de jurema e a linha dos encantados.

Esses indios, hoje recebe o nome de caboclos mas na verdade o nome caboclo e o tipo homem do nordestino.

Mas em geral, os indios realizava culto de pajelança, enterravam os seus guerreiros e pajes no pe da jurema preta, pois tem a jurema branca, e outras que não entra no culto,

Localização Geográfica da Aldeia do Caboclo


Mestre Rio Verde - A sociedade indígena Yanomami ocupa a grande região montanhosa na fronteira entre o Brasil e Venezuela.

No Brasil, nos estados do Amazonas e Roraima, municípios de Santa Isabel do Rio Negro, no Amazonas e Boa Vista, Alto Alegre, Mucajaí e Caracaraí, em Roraima. Área correspondente ao Maciço das Guianas, coberta pela Floresta Tropical Úmida.

Os Yanomami formam uma sociedade de caçadores-agricultores da floresta tropical do Norte da Amazônia cujo contato com a sociedade nacional é, na maior parte do seu território, relativamente recente.

O Yanomani – em toda a amazonas tem os Waikas que são indios que não usa a agila potes somentes trabalhos com palha do do coqueiro e produtos da mata.

O Caboclo Mestre Rio Verde, e o Caboclo Rio Negro e, Caboclo da Mata Virgem caboclos encantados das matas são dessa aldeial, porem e claro que existe outras aldeias no Brasil que teve os seus encantados tambem, ou de outras do Amazonas.

Juremeiro em vidas (Paje) o Rio Verde, por isso que recebeu o nome de Mestre, e uns dos poucos caboclo que abaixa e da consultas como um mestres pois em vida ele realizava Pajelança, e invocava os seus guerreiros... como os demais Pajes de outras aldeias era os sarcedotes.

A influência européia se fez presente através do selo de Salomão, (Cinco Salomão) que foi o primeiro mestre juremeiro, este consiste de dois triângulos entrelaçados cuja origem atribui-se aos antigos persas. Diz à lenda que o símbolo era usado para invocar o rei Salomão e assim aprisionar os djins (gênios) sem vasos. Na Índia o mesmo símbolo é chamado de “Signo de Vishnu” e é desenhado nas portas das casas com um talismã contra o mal. No nordeste este costume ainda existe e na linguagem típica é chamado "Sino Salomão". Segundo os seguidores da corrente dita "iniciática" do ADJUNTO DA JUREMA, Salomão, o Rei de Israel, teria sido um grande Mestre na Jurema.

Para o mestre chegar, para ele vir trabalhar. E isso se faz não só através do canto, em que eu chamo meu mestre, eu canto para ele, mas também através da bebida. “Eu preciso beber a Jurema”,

Você vai conhecer a força de um rito que começou com os índios, recebeu influência dos cultos afro-brasileiros e ainda se misturou com o catolicismo popular. Magia forte, nascida no Nordeste brasileiro.

A bebida é feita com a casca da Jurema e mais vinho ou pinga. Os outros ingredientes são uns segredos que os mais velhos guardam com zelo.

“É uma ciência, uma ciência grande, muito grande”, garante Mestre Carol. Juremeiro há mais de 50 anos, ele apresenta seu mestre: Preto José Pelintra.

É a cidade da Jurema, que traz toda a força para os discípulos mestres, que vêm ao redor. A “água é um elemento importante, porque é ela quem traz a força da natureza”.

“É um mundo imaginário, sobrenatural, que está em outro plano, no que eles chamam de plano encantado”,

“Quando os mestres se incorporam, eles têm sempre um objetivo básico, que é atender as pessoas e aplicar certas receitas, que são receitas mágicas, de uma medicina muito antiga, religiosa”.

Chamada jurema de chão. O chocalho, ou maracá, e o canto em círculo lembram a origem indígena deste rito. Mas evocam também a época em que os praticantes desta religião eram perseguidos pela polícia.

Para se esconder da polícia, o rito era realizado com todos abaixados, escondidos na mata. Não se podiam tocar tambores; apenas os maracás.

“Muitos têm a Jurema como um bicho, mas a jurema não é nada disso. Ela é paz, luz, amor e caridade”,

Jurema Preta Sagrada

Eu andei, eu andei, eu andei,

Eu andei, eu andei vou andar, (bis).

Sete anos eu andei foi em terra,

Outros sete eu andei foi no mar. (bis).

Oh Jurema Preta senhora rainha,

Abre a cidade mais a chaves é minha. (bis).

Oh tupirarague ou tupiraragua,

Sou filho da jurema e venho trabalhar. (bis).

HISTORIA DA CACHAÇA
 
Aqueles que se ligam à cachaça de uma forma ou de outra, por fabricá-la, por vendê-la ou por bebê-la, já devem ter ouvido aquela história:

"Nosso Senhor Jesus Cristo, quando caminhava por uma estrada, morrendo de sede, debaixo de um sol causticante, avistou um canavial. Protegendo-se do sol entre sua folhagem, refrescou-se do calor. Depois de descascar uma cana, chupou alguns gomos, saciando sua sede. Ao ir embora, para seguir viagem, estendeu suas mãos por sobre o canavial, abençoando-o desejando que das canas o homem haveria de tê-las sempre boas e doces. Em um outro dia, o diabo, passando pela mesma estrada, foi dar no mesmo canavial. Ali parando, resolveu refrescar-se. Cortou um pedaço da cana e começou a chupar um gomo, mas seu caldo estava azedo, e quando por ele foi engolido, desceu garganta abaixo queimando-lhe as ventas. Irritado, o diabo prometeu que da cana o homem tiraria uma bebida tão forte e ardente quanto as caldeiras do inferno. Daí surge o açúcar abençoado por Nosso Senhor e a cachaça amaldiçoada pelo diabo".


DERRAMAR BEBIDA NO CHÃO
Luís da Câmara Cascudo
Pelo interior do Brasil ainda resiste o costume do bebedor derramar um pouco de bebida no chão. Antes ou depois de servir-se, joga aguardente no solo. É um gesto maquinal mas alcançando todo o território nacional.
Outrora era mais comum o líquido ser atirado antes de beber-se. Presentemente o uso é lança-lo ao final, esgotando o copo. Este deve ficar limpo. Sem bebida. Identicamente em Portugal, Espanha, França, Itália etc.
Já tenho, desde 1941, publicado observações a respeito do rito da cachaça e seus respeitos no âmbito popular. Quando comecei a estudar o catimbó (Meleagro. Rio de Janeiro, Editora Agir, 1951) encontrei o mesmo complexo no mundo da magia branca e negra, entre os "mestres" do catimbó e os babalorixás do Xangô.
Quantas vezes nas minhas pesquisas em Natal ouvi o diálogo clássico entre os veteranos cachaceiros. Enchido o copo, o que paga diz a frase ritual: Vamos dar-lhe! O homenageado deverá responder: Venha de lá, valendo exigir que o outro beba em primeiro lugar. Este retruca: Venha de lá que eu vou de cá! Tradução: "Beberei depois de você"; O homenageado sacode uma porção de "branquinha" no chão, e ingere. Passa o copo ao outro que sorve sua parte. Atualmente é o ofertante que joga no solo o que sobrou da bebida.
É o comum, diariamente verificável, cerimonial antiqüíssimo porque é cumprido sem que mais se conheça sua significação. Desapareceu qualquer elemento compulsivo mas continua obrigatório, indispensável no costume, fazendo parte integrante da etiqueta normal, da boa educação no plano da camaradagem.
No catimbó todo o cauim (aguardente) bebido foi preliminarmente defumado com a "marca" (cachimbo do mestre) e deve uma parte ser atirada no chão em homenagem aos mestres, os soberanos dos reinos invisíveis, doadores dos "bons saberes". Em certos catimbós a obrigação deve ser feita antes e depois de beber. Antes de tocar com os lábios e depois de haver sorvido a porção protocolar. Nos mais rústicos e antigos catimbós, o de mestre Dudu da Serrana, na margem esquerda do rio Potengi, diante da cidade do Natal, derramava-se um copo inteiro de cachaça antes de qualquer "trabalho", logo depois de aberta a sessão e cantada a "Linha de abertura".
Nos mais adiantados onde os "mestres" tinham lido e viajado (Pará, Bahia, Recife ou Rio de Janeiro) a oferta cingia-se às gotas jogadas ao solo, antes ou depois de beber-se.
Era fatal, com os "mestres" fiéis à tradição catimbozeira na legitimidade da expressão, o gesto para que o bebedor deixasse o copo inteiramente vazio. O copo com algum líquido, depois da bebida, era uma falta manifesta de respeito aos "mestres", invisíveis e poderosos.
Só existe uma explicação para este costume arraigado e natural no nosso povo. É a Libatio dos romanos e gregos, desaparecida há quase dois mil anos no uso religioso e mantida no costume inconsciente, pelos herdeiros da cultura que se dissolveu, no tempo, em Portugal e, decorrentemente, no Brasil colonial. E ficou resistindo até nossos dias.
O ato de Libaro era justamente derramar água, vinho ou óleo perfumado, no chão, no lume ou no altar, oferenda aos deuses.
Não se começava uma refeição grega ou romana sem a libação. Provava-se o líquido e despejava-se o restante no solo. Sem esta pequena cerimônia os deuses teriam inveja da alegria do banquete e vingar-se-iam. Para contentá-los ofereciam, antecipadamente, parte do simpósio, expresso no Libatio ritual. Era a participação sagrada no alimento terrestre.
Comumente faziam a Libatio como súplica. Homero (Ilíada, XVI, 221-233) descreve a libação de

Aquiles, na tenda diante de Tróia, a Zeus, senhor do raio, oferecendo-lhe vinho em taça virgem. Devia ser o primeiro ato diário dos homens virtuosos aconselhava Hesíodo, no Trabalhos e os dias.


O apóstolo Paulo, I Filipenses 11, 17, fala em "derramar meu sangue à maneira de libação", mostrando a contemporaneidade da cerimônia. O Velho testamento abunda em citações comprovadoras, Números, XXVIII, 7-8, Reis, VII, 1-6 etc.
Em Burna o tamarineiro (Tamarindus Indica, L) é venerado e ofertam vinho e água às suas raízes. Entre os jeje-nagô, o Irôco, gameleira (Ficus religiosa), lôco dos bantu, recebe culto idêntico na África, e na Bahia, estudado por Nina Rodrigues, Artur Ramos, Edison Carneiro. Seabrook registrou semelhantemente no Haiti. Na Índia os "ficus", Banian (F. indica) e Pipal (F. religiosa, a nossa gameleira), têm direitos idênticos, despejando-se ghee, manteiga clarificada, no tronco. Igualmente o Tulusi, outro ficus, é sagrado, com manifestações da libação. Diga-se, de passagem, que o deus Crisna se casou com a árvore Tulusi.
Petrônio (Satiricon, LXXIV) conta no banquete de Trimalxião o arrepio de susto quando um galo inopinadamente cantou. Anunciava incêndio próximo ou a morte de alguém. O dono da casa passou o anel da mão esquerda para direita. Aspergiram o azeite das lâmpadas. Todo o vinho foi derramado sob a mesa. "Vinum sub mensa jussit effundi". Era uma libação, evitando o presságio para os alegres convivas.
Nos antigos povos caçadores o costume da libação aos troféus era elemento decisivo para felicidade e seqüência da fartura. Os crânios de certos animais eram molhados de vinho, como ainda hoje fazem os Ainos com as cabeças de ursos.
Lembro um episódio que presenciei no Recife durante o Carnaval de 1939, creio. Um popular mandou abrir uma garrafa de cerveja e derramou-a no chão, junto ao porta-bandeira de um clube barulhento e querido que vinha sendo acompanhado por uma multidão entusiastica. O porta-bandeira, sorridente e orgulhoso, molhou a extremidade da haste do estandarte, perfeitamente certo da alta significação simbólica que sua agremiação merecera. Era, irretorquivelmente, uma libação clássica.
Num romance recente de Nevil Shute (A Hora Final, Rio de Janeiro, 1958, p.1000) a libatio aparece como uma normalidade inglesa, norte-americana, australiana. Fala um general reformado, Sir Douglas Froude: "Ergueu o seu cálice de xerez: Bem. Agradeçamos à Providência por você ter voltado são e salvo. Creio que devíamos derramar um pouco no chão em sinal de júbilo".
No monitórios do Santo Ofício nos séculos XVI e XVII perguntava-se cuidadosamente se na residência suspeita de judaísmo, em caso de falecimento, esvaziavam toda água existente, despejando-a fora, como fizeram com o vinho no banquete de Trimalxião. A explicação do monitorio era bem diversa mas com a libação com água pura existiu entre os israelitas (Reis I, VII, 1-6), bem podia tratar-se de uma representação típica aos manes funerários.
Esta superstição ainda existe, usual e viva, no Brasil.
O tempo vai passando mas não leva todas as coisas. Muitas vão ficando dentro do cotidiano, vividas numa vitalidade surpreendente, manifestações sem conteúdo místico mas reais no gesto notário que lhes denuncia a existência milenar.
(Cascudo, Luís da Câmara. "Derramar bebida no chão")
 
NOME DE CACHAÇA...
 
abençoada; abrideira; acaba-festa; adorada; alpista; aninha; apreciada; arrebenta-peito; branca, branquinha, brasa; braseira; brasileira; bichinha-boa; acorda-o-velho; afamada; afiada;água-benta;água-bruta; água-de-briga; água-de-cana; aguada; água-forte;  água-que-passa rinho-não-bebe; água-que-gato-não-bebe; alertadeira; alma-de-gato; amansa-sogra; amansa-corno; amargosa; antibiótico; apetitosa; arranja-briga; a-que-matou-o-guarda; arranca-bofe; atitude; azarenta; bichinha; bicho- bom; bigorna; birinaite; birusca; bribada; branquinha; briosa; cabo; catutca; caideira; calafrio; calorenta; cambirimba; cambraia; canavieira; canforada; canilina; capilé; catuta; catinguenta; chamegada; chamarisco; cipoada; cheirosinha; carinhosa; carraspana;caxaramba; caxiri; caxirim; chibatada; choraminga; chorumela; cobreira; corta-bainha; cotréia; cumbe; cumulaia; criminosa; curandeira; da boa; danadinha; desperta paixão; distinta; depurativo; douradinha; encantada; enrola-chifre; ensina-estrada; garapa; girgolina; goró; gororoba; jeribita; jurubita; lapada; limpa; lindinha; lisa; mandureba, mamãe-sacode;  marafo; maria-branca; mata-bicho; mata-o-velho; mel; merol; meu-consolo; não-sei-quê; papôco; papudinha; precipício; piadeira; pifão;pinga; pisca-pisca; pura; purinha; queimante; quero-mais; reiada; saideira; sacudidela; salve-ela; samaritana; sapeca; sedutora; seleta; sopapo; sossega-leão;

HISTORIA DA CACHAÇA


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sputinik; renitente; suadeira; sururu; tacada; talagada; tagarela; tiririca; tiúba;  tijolo-quente; tira-frio; tira-prosa; tira-reima; tiririca; tiúba; tentação; tenebrosa; treco; tremedeira; trombada; turbulenta;  uma...;  uma-da-boa; uma-daquelas;  valentona; veneno; venenosa; virgem-afamada; vexadinha; vuco-vuco; xaropada; xixi-de-anjo; zombeteira; zinabre, zuninga.








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